Fotógrafos de natureza têm passado por constrangimento e exigências de gestores de parques e regulamentos de concursos.
Há muito tempo não escrevo para meu site, mas lendo uma reportagem da revista "Fotografe Melhor" edição 160 intitulada "Todo Profissional deve lutar pelos direitos do Fotógrafo" abracei a causa e achei por merecer mais destaque, mesmo no meu humilde universo de influencia, pois acredito que toda batalha pelos direitos e elo reconhecimento de nossa profissão é de grande ajuda na guerra contra o mercado esmagador e gigantesco que nos alimenta e nos consome ao mesmo tempo. Sem receios de transcrever o que é dito com grande riqueza de informações e detalhes na matéria da revista, mas fazendo das palavras do autor da matéria Luiz Claudio Marigo as minhas acrescento a causa minhas considerações.
A partir de fatos recentes e a adoção de uma instrução normativa pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que prejudica os fotógrafos de natureza, Marigo em sua matéria disserta acerca de como o direito autoral vem sendo cerceado em editais de muitos concursos nacionais de fotografia e também sobre como o desrespeito e descaso pela profissão se tornou corriqueiro no mercado editorial.
A instrução normativa do ICMBio exige autorização dos fotógrafos de natureza para fotografarem nas unidades de conservação ecológica, inclusive nas áreas abertas ao público. O pior é que a “autorização” implica em doação, para o ICMBio, do material bruto produzido.
Na tentativa de retomar o respeito e a dignidade de seu trabalho, os fotógrafos de natureza fundaram, recentemente, a Associação dos Fotógrafos de Natureza (AFNATURA). A AFNATURA tentará negociar com os órgãos ambientais condições de trabalho que respeitem os direitos autorais estabelecidos em Constituição Federal.
Marigo critica e alerta a todos também sobre os editais aproveitadores dos concursos nacionais, cito alguns como Foto Arte Brasília, WWF Brasil e um concurso cultural patrocinado pelo Banco Itaú, cujo interesse é o de formar bancos de imagens, com direito total sobre elas, em troca de prêmios. Marigo acredita que é possível provocar mudanças na forma como os concursos vêm sendo realizados. Este poder está nas mãos dos próprios fotógrafos.
Em meio à matéria Marigo cita Cacilda Becker que diz: "não me peça para dar a única coisa que tenho para vender", de fato no mundo da fotografia muitos fotógrafos entram para o mercado através da cessão de imagens aos meios de comunicação em troca de credito nas fotos e a esperada vitrine que tal cessão levaria o seu trabalho, mas os mesmos se esquecem que enquanto houver cessões e fotógrafos dispostos a trabalhar simplesmente pelo credito que é um direito intransferível do autor, haverá jornais, revistas, sites e organizações dispostas a procurar por matéria prima gratuita.
Em contra partida com as Instituições Governamentais, ONGS, Institutos e Empresas que se beneficiam de fotógrafos dispostos a trabalhar de "graça" temos que refletir que como Marigo cita em sua matéria a mudança de atitude destes meios depende inteiramente da nossa postura quanto ao nosso trabalho, sem discutir valores, prestigio e colocação no meio todo fotografo deveria impor a sua obra um preço seja ele o mais irrisório ou simbólico, assim e somente assim o mercado deixaria de olhar o fotografo como um ponto a se riscar do orçamento e vê-lo como um profissional que enriquece seu produto e sua imagem e que merece receber suas migalhas da grande fatia de bolo!
Fonte: Luiz Claudio Marigo - Fotografe Melhor


